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domingo, 19 de dezembro de 2010

Cap. 17 - Despedida Inesperada


... Quem trabalha ou trabalhou em navio sabe, os pés, além de doloridos, ficam podres. Eu nunca tinha tido calos nos pés ou outras pragas como frieiras e etc. Mas como no navio usa-se muito sapato e é uma correria do caramba, seus pés acabam "bichando" um pouco. Vocês que vão embarcar logo, levem algum remédio pra calo ou pra massagem relaxante pra pés e pernas, é ótimo.
Mas como diz o ditado popular, há males na vida que vem para o bem, e eu ali, na cama de cima do beliche da minha cabine, já soube como dar o troco no hondurenho que passava as horas de folga falando mal de brasileiros, o mesmo que poderia ter me acordado e evitado toda a situação contada no post anterior.
Voltei pra minha sessão de trabalho pra arrumação da noite. Tudo tranquilo, alguns "refuseds" e algumas cabines monstruosamente bagunçadas. Normal, temporada brasileira o povo faz festa mesmo. Entreguei a chave na oficina e passei na minha cabine, aquele dia eu estava muito cansado, nem tirei o uniforme, fui direto pro crew bar ver o pessoal. Estavam todos ansiosos para saber sobre a transferência de navio, para ter certeza de quem iria pra Europa ou não. O assunto entre a tripulação era esse. Nós tivemos o privilégio de saber antes sobre tudo isso, por nosso chefe Eldon ser totalmente correto com a equipe de trabalho dele. O cansaço me venceu e eu fui pra cabine, dormi como uma pedra.

Meu celular despertou e eu logo pulei da cama, agora a minha atenção com o horário era dobrada. Victor, o hondurenho que eu dividia cabine, estava entrando no banho, no exato momento que levantei. Olhei em cima do balcão da cabine, lá estava o copo dele, esperando para ser usado como de costume. Eu apenas ajeitei o uniforme e aguardei ele tomar banho, nesse meio tempo lembrei das coisas que ele vivia dizendo sobre brasileiros, e sobre a falta de companheirismo dele comigo. O meu pé estava todo fudido, eu tava com frieira, a pele descascava entre meus dedos e alguns pontos estavam na carne já, por eu ficar cutucando.
Antes dele sair do banheiro, peguei o copo dele, lembrando as coisas más que ele falava, e passei todo o orifício do copo entre meus dedos, é, exatamente onde estava a frieira, onde a pele estava saindo, onde tava podre mesmo. Não deixei um ponto sequer sem ter passado pela minha frieira, e coloquei o copo exatamente no mesmo lugar.
Ele saiu do banheiro, eu lhe desejei bom dia e entrei, escovei meus dentes, lavei o rosto, me preparei pro banho, mas, propositalmente deixei o material de higiene pessoal em cima da minha cama, voltei para pegar. Ele estava fazendo exatamente o que esperava. Encheu o copo com a metade do refrigerante que havia sobrado na garrafa, e tomou, tomou com gosto. Sabe quando a gente ta com sede, e termina de tomar água e faz aquele "aaaaaaah" de refrescância? Ele fez até esse sonzinho depois de enfiar a boca em todos os germes da minha frieira. (uahuahuahuah). Apenas sorri, peguei minhas coisas em cima da cama, e fui pro meu banho.
A semana estava acabando, e com isso, o cruzeiro também, era noite do comandante, e alguns camareiros são eleitos pra entregar os canapés durante a noite de gala. Eu fui dos felizardos para aquele dia.
Chegou a noite, fui para a oficina encontrar o pessoal que iria servir os canapés comigo. Eram divididos em dois turnos, seguindo o horário do jantar dos passageiros, primeiro ou segundo turno. Eu fui servir o primeiro turno, que é melhor, pois você serve rapidinho e corre pra sua sessão fazer as cabines, pois isso é um trabalho extra, eu tinha que arrumar as cabines com set up da noite quando terminasse de servir. Eu andava pelo teatro em passos rápidos e oferecia pra todos os passageiros que eu via. Passava pelas fileiras de cadeiras servindo todos, adorava quando haviam passageiros gulosos que pegavam quase a bandeja inteira, isso acelerava o trabalho e eu teria mais tempo de ir pra minha sessão.
Voltando pra minha sessão, passei pela sessão do Denilson, ele não estava lá, e no lugar dele estava o camareiro da sessão do lado. Perguntei dele, e disseram que ele havia recebido uma notícia e teve que ir até o crew purser (setor que cuida de documentação, passagens e de embarque e desembarque dos tripulantes). Estranhei, mas fui trabalhar, haviam 17 cabines a minha espera.
Foi no bar que eu fui saber o motivo pelo qual o Denilson foi falar com o pessoal do crew purser. A mãe dele estava no hospital, em coma, e ele foi se informar sobre as condições de ele poder ir pra casa e voltar depois. Isso é uma das coisas que todos os tripulantes temem: PROBLEMA NA FAMÍLIA. Digamos que o problema é em relação mais pra saúde mesmo, pois você estar longe, sem ver sua família, depois saber que algum parente está em coma, doente no hospital, é foda. Ele contou a situação pra nossa galera de sempre, apoiamos a ida dele pra casa, pois nesse caso, o tripulante desembarca com justificativa, então não é desistência, ele poderia voltar logo que sua mãe melhorasse. Foi o que aconteceu. Ele iria voltar pra Curitiba naquela mesma semana, e então foi feita uma pequena despedida entre os mais chegamos no crew bar mesmo. Sexta-feira, véspera de embarque, o dia em que os camareiros deviam ficar de repouso, pois dia de embarque é o dia mais foda pro camareiro. Mas estávamos lá, todos nós, bebendo, curtindo, e nos despedindo de um grande amigo. Ele chorou, a gente também, despedida é foda.
Mas o melhor de tudo é saber que ele logo voltaria, era questão de duas semanas, segundo o que o Crew Purser disse.
O pessoal do Crew Purser mentiu.

GALERA SEI QUE TO DEMORANDO DECADAS PRA POSTAR MAS TA MAIOR CORRERIA, MAS NÃO PENSEM QUE ABANDONAREI ISSO AKI, TENHO MTA COISA PRA CONTAR AINDA, ISSO QUE CONTEI ATÉ HOJE SÃO APENAS DOIS MESES DE CONTRATO. UAHUAHUAHUAHU

COMENTEM, DIVULGUEM, CRITIQUEM E PERGUNTEM, ESSE ESPAÇO É DE VOCÊS..... UM GRANDE BJOO E ABRAÇO PRA TODO MUNDO AÍ! ATÉ!

FOTO: A GALERA NA CABINE DA DANI CACHACINHA!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cap. 16 - Uma coisa leva a outra


... No crew bar estavam todos os setores, e a galera do restaurante, e do bar também, perceberam a movimentação, uma das meninas do mar se aproximou e perguntou qual era o fervo. O nome dela era Kelly, curitibana muito gente fina do bar. Então o motivo da reunião foi explicado a ele e ao restante dos camareiros que estavam ali.
A Marília, camareira tímida do Rio Grande do Sul, que estava namorando o Bruno paulista, também camareiro, explicou o raciocínio.

- Gente pensem comigo: a gente sendo voluntários para ir de "transfer" (transferência pro outro navio), é a garantia que iremos pra Europa, trabalhar na temporada de lá. Porque todo mundo diz que metade de nós irá ficar no navio só até acabar a temporada aqui, só vão os melhores. Quem já fala bem espanhol e inglês, e aquele latinos de merda...

Bruno, o namorado dela, continuou...
- Bem dessa, então vamos fazer a lista e entregar pro Eldon antes que outras pessoas entreguem, pra garantir nossa vaga no outro navio, e nossa ida para a Europa...


Ninguém questionou, todos concordaram com o feito, e o chefe Eldon comentou que precisaria de umas 15 pessoas para o "transfer", então ali completava a maioria das vagas e ainda sobraria mais algumas.
A lista passou sobre a mesa, e todo mundo foi preenchendo com nomes e alguns outros dados, como número de cabine e sessão.
A Kelly do bar, disse que não sabia nada disso, que o chefe do bar não havia falado nada. Mas nós confirmamos a ela, que não era um boato, saiu da boca do nosso chefe.

Então, a fofoca foi se espalhando no navio todo, em todos os setores, em menos de dois dias, todo mundo da tripulação comentava sobre esse possível transfer. Ainda faltava quase um mês para o fim da temporada no Brasil, e o tempo passou mais devagar, pois todos estavam ansiosos com a confirmação da transferência e de quem ia ou não iria pra Europa. Os dias foram passando, e logo após o cruzeiro de carnaval, iríamos ter a resposta de quem seria transferido mesmo ou não. A Tereza, uma brasileira que estava no segundo contrato dela, avisou que isso era apenas fervo, que TODO MUNDO iria para a Europa, que eles falavam isso apenas para assustar a galera. Mas todos estavam com receio da mesma forma.
Vocês, quando embarcarem, ouvirão essa mesma história sobre a temporada brasileira e européia.

Os dias passaram e faltava apenas um cruzeiro para a chegada do cruzeiro de carnaval. Depois do carnaval havia apenas mais outro e partiríamos para Barcelona, na Espanha (ou não).
Eu me preocupei um pouco com isso, o dia do segundo pagamento estava chegando, enquanto isso eu estava me virando com as gorjetas, que, para o contrário do que dizem, são muitas no Brasil, pelo menos eu recebi horrores.
Eu era um dos poucos, ou senão o único, que não dormia a tarde, preferia conhecer as cidades, logo posto algo com as fotos da rota que o Soberano fazia.

Eu estava indo todos os dias para o crew bar, e num certo dia estávamos combinando em ir para a praia em Ilhéus-BA, e nisso fui deixar a roupa separada para não demorar muito no dia seguinte arrumando nada. Nisso percebi a quantidade de roupa suja que eu tinha para lavar, era um saco enorme. E eram 1 e meia da manhã, mas se eu não lavasse não teria nem como sair, a não ser que eu fosse de uniforme né!!!
Lá foi eu, com um saco nas mãos, sabão em pó e amaciante. Cheguei lá, as máquinas estavam todas ocupadas. Subi no crew bar mais um tempo e voltei quase uma hora depois, enfim havia uma das máquinas livre.

No navio, é tudo automático, você joga sua roupa dentro da máquina, programa ela, geralmente a programação dura uns 40 minutos, depois desse tempo tem mais uns 40 para secar toda a roupa, mas dai o tempo pra secar varia de acordo com o tecido e peso da roupa. Por mais que não precisa fazer nada além de jogar de uma máquina para a outra, ENCHE O SACO.
A roupa terminou de bater, eram 3 horas da manhã, o crew bar estava fechado e a maioria da tripulação estava dormindo. E eu estava caindo de sono, mas ainda tive que esperar um pouco para secar, pois todas as secadoras estavam ocupadas. Eu resolvi esperar ali mesmo, na lavanderia para desocupar alguma secadora. Enquanto eu esperava, meus olhos fecharam e só despertei as 4 da manhã, pois um dos filipinos queria usar a mesa para colocar as toalhas limpas. Eu me desesperei quando vi o horário, eu ainda não tinha colocada roupa nenhuma para secar, então coloquei e tentei ficar acordado, mas não funcionou, dormi novamente na mesa da lavanderia, mas dessa vez um filipino dividiu o espaço comigo. Logo o outro acordou nos dois e eu peguei minha roupa e voltei para a cabine, eram 5 e meia da manhã. Eu estava podre, cheguei na minha cabine, arrumei o relógio pra despertar as 7 e meia e capotei.

Um som alto e agudo me despertou na cabine, o estranho, que não era o som que meu despertador fazia, era o TELEFONE. Atendi sem ao menos ver a hora. Era chefe Morazam, então ele perguntou.

- NO trabajas hoy muchacho?
- Claro que vou sim...
Eu respondi ainda com a voz de sono.

- Entonces venga, cojer su llave...

Ele desligou sem se despedir, foi aí que fui ver a hora, era 9 e meia da manhã, e eu já devia estar trabalhando há 1 hora e meia.
Nunca me vesti tão rápido na minha vida, em menos de 3 minutos eu já estava na oficina, pegando a chave e correndo para a minha sessão, como não tive tempo para escovar os dentes e nada mais, levei a escova pra minha sessão de cabines.

Falei com a Fran, ela me falou que alguns dos passageiros já haviam saído das cabines de minha sessão. A Mércia deu recado de alguns deles, então fui pra cabine mais próxima do meu trolley.
Entrei na cabine, não era uma cabine bagunçada, era cabine de família, normal, desarrumação padrão de camas usadas e banheiro molhado de banho diurno. Eu falei muito pouco com as meninas, pois não gosto de abrir a boca sem escovar os dentes. Então fui no banheiro da cabine, e escovei ali mesmo, usando o creme dental dos passageiros mesmo.
Arrumei a cabine inteira e fui seguindo trabalhando.
O bom que na temporada brasileira os passageiros não saem tão cedo quanto na Europa, então no horário que cheguei na sessão ainda eram poucas cabines pedindo arrumação. Dobrei as toalhas, limpei mais algumas cabines que foram desocupando ao passar da manhã.

Eram quase 13 horas quando as meninas falaram para gente descer pro almoço. Descemos sem pressa, pois o navio ainda não havia chego em Ilhéus.
Almocei com a galera de sempre, rimos alto, comemos a luz do sol. na varanda do crew bar.
E todo mundo saiu e foi pra suas cabines para escovar os dentes, eu, como sabia que minha escova estava na minha sessão, fui direto pra lá.
Vasculhei todo o meu "Locker" e o meu "trolley", e nada da bendita escova aparecer. Foi aí que me veio na cabeça.
"Filha da putaaaa, eu esqueci na cabine do passageiroooooooo"

Eu fiquei tão desesperado quando lembrei daquilo que fui correndo até a cabine e abri com tudo, sem ao menos bater na porta.
E pra piorar a situação, no instante que abri a porta da cabine, meus passageiros deram um pulo na cama, eles estavam dentro da cabine!!!
Imaginem a cara que fiquei em ter aberto sem bater, além disso, a cara dos passageiros me olhando imaginando o que havia acontecido para eu entrar assim tão bruscamente na cabine.

- Aconteceu alguma coisa Gustavo?
- Eeer... e é... não... na verdade... eu posso ver uma coisa?
- O que tem alguma coisa errada no quarto?
- Não... na verdade eu vim buscar minha escova de dentes...
(Vocês não tem noção do quanto eu fiquei vermelho ao falar isso, mas não passou nada na minha cabeça para usar de desculpa)

- Ah! Então é sua? Nós vimos ali uma escova diferente mesmo, mas eu pego pra você.

O pai da família pegou a escova pra mim, a mulher dele olhou com uma cara de espanto, ao mesmo tempo curiosa para saber o que a escova do camareiro de cabine deles estava fazendo ali...

Eu fechei a porta da cabine rindo da situação.
Galera, essa é uma das situações que não esqueço no navio, uma avalanche de acontecimentos,
tudo porque deixei acumular roupas para lavar.
A partir desse dia eu dava a roupa para a minha "Helper" lavar, pagava algo a mais pra ela, que gostava muito de mim, e fazia mais barato. Foi melhor assim, não precisei me preocupar com roupa nunca mais. Chegavam limpas e passadas na minha mão.
Contratem alguém para este serviço, vale a pena, você ganha tempo, e economiza dor de cabeça. Fica a dica.

Mas isso também não aconteceria se eu tivesse um companheiro de cabine gente fina, que me acordasse de manhã, ao invés de me deixar dormindo sabendo dos horários.

Cheguei na cabine após voltar da praia de Ilhéus, e falei com ele sobre o fato. Ele riu da minha cara, falou mal de brasileiros, como era de costume, e disse que não estava nem aí pra me acordar, que era melhor assim que era um brasileiro a menos na Europa.
FILHA DA PUTA MESMO AQUELE HONDURENHO.

Ele ria tomando refrigerante de um copo grande que ele usava sempre, um copo da Pullmantur, ele usava aquele copo todos os dias, toda vez que chegava na cabine, pegava um refrigerante do frigobar e enchia o copão da empresa.
Eu não falei nada pra ele, deixei ele ficar resmungando mal de brasileiros, eu apenas olhei o copo dele, a garrafinha de refrigerante de 600 ml ainda pela metade, que ele guardou na geladeira.
Apenas observei pensando no que eu iria fazer com aquilo tudo...


GALERA FOI MAL EU SUMI DE VEZ, ESTAVA VIAJANDO E FAZENDO ALGUMAS COISAS QUE ERAM LONGE DA NET, MAS AGORA TO DE VOLTA PROMETO NO MINIMO POSTAR UM CAPITULO POR SEMANA DA MINHA HISTORIA AKI, E OLHA Q TEM MTA COISA PELA FRENTE, INDIQUEM, SIGAM E ACOMPANHEM O BLOG QUE FALA A VERDADE NUA E CRUA SOBRE NAVIOS - A VIDA DO CREW! AUHAUAHUAHUAHUAHUAHUA

AVISEM A GALERA Q JAH TA ATUALIZADO BJAO!!! AAAAAAAH, COMENTEM, QUE É ATRAVÉS DOS COMENTÁRIOS QUE SEI SE VCS TÃO ACOMPANHANDO OU NÃO O BLOG. VALEU, PERGUNTEM O QUE QUIZEREM QUE NO POST NUMERO VINTE VOU FAZER UM VÍDEO RESPONDENDO TUDO E FALANDO DE CADA COMENTÁRIO DE VOCÊS. VALEU E PROMETO NÃO SUMIR

FOTO: ILHÉUS COM A GALERA.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cap. 15 - O destino


...

- Que números são esses?
Ninguém entendia nada... Eu não respondi nada a ninguém... Apenas segui em direção a minha cabine, precisava ligar para a minha mãe... Foi o que eu fiz.
Deixei todo mundo com cara de espanto para trás, cheguei na minha cabine, estava vazia, o hondurenho mafioso que morava comigo, chamado Victor, não estava lá, devia estar esperando receber o salário também. Peguei meu cartão telefônico do navio, que já vou avisando, custa 20 dolares cada, e liguei para casa...

- Alô, Alô? - disse minha mãe no telefone.
- Oi mãe, é o Gutto.
- Oi filho, que bom que você ligou, como você está?
- To bem, agora já acostumei com tudo aqui, ta tudo bem aí em casa?
- Ta sim filho, tudo na mesma, aqui não muda muita coisa não...
- Hum, mas mãe te liguei pra dizer sobre o salário aqui...
- A é? Você recebeu já?
- Recebi hoje mãe, e liguei pra dizer que esse mês não vou poder te enviar nada porque o salário veio muito diferente do que pensei que viria...
- Como assim filho? Não ia receber uns 2 mil dólares mensais?
- Então, eu também pensei que seria isso, mas deve ter acontecido alguma coisa, eu recebi sabe quanto?
- Fale filho, quanto?

Respirei fundo para falar, e soltei:

- 456 DÓLARES! Acredita nisso mãe, só 456 DÓLARES...
(gente não desanimem, acompanhem a história para saber o motivo viu hehehehe)

- Mas não tem problema filho, deve ter um motivo pra isso, o importante que você ta firme e forte aí, to orgulhosa de você, muito!

Ela me quebrou quando disse isso, tentei segurar mas não deu, comecei a chorar.
- Mão to morrendo de saudades, to morrendo de saudades mesmo, você faz muita falta pra mim, as crianças também...

Nem preciso continuar contando o restante do telefonema, foi só suspiros e soluços.

Passou algum tempo fui percebendo portas batendo e pisadas fortes no corredor. Abri a porta da minha cabine pra ver o que estava acontecendo. Eram os outros camareiros, ou cabinistas (como dizem no navio), revoltados pelo salário que havia pego. Nessa hora ouvia-se apenas xingões e palavrões baixos. EU fechei a porta e preferi deitar um pouco pra esquecer tudo aquilo. Então o pensamento veio em minha mente.

- Será que isso tudo vale a pena mesmo?

No dia seguinte, na hora do almoço, a maioria dos camareiros brasileiros estavam juntos na mesa, e o assunto não poderia ser outro a não ser o salário. Ninguém ficou satisfeito com o que havia ganho, e uma das meninas, a mais velha que falou "Meu Deus" quando viu meu comprovante de pagamento, já havia pedido as contas, ela iria desembarcar no sábado, voltar para Curitiba.
O sábado chegou e ela se foi, mas uma baixa no housekeeping, e para que não houvesse mais isso, pedidos uma reunião com o nosso chefe, esplicando o POR QUÊ daquele salário.

O pedido foi aceito. Estávamos todos na reunião, todos os 70 camareiros, já com uma das meninas novas, que entrou para cobrir os que sairam, chamava-se Teresa, era seu segundo contrato. Chefe Eldon chegou com alguns papéis, e os seus fiés escudeiros juntos ao lado do chefe.
Aí a reunião iniciou.

Ya lo sei que ustedes todos no eston felices pela plata que receberam ahora, entonces voy a explicar:

Ele falou sobre a comissão e sobre o fechamento do mês. Na Pullmantur, o mês salarial se fecha no dia 20, então nós que chegamos no dia 6, e iniciamos o trabalho no dia 7/12, recebemos apenas 13 dias, e desses 13 dias, apenas uma semana comissionada. Pois a primeira semana não havia passageiro nenhum, então, o que fez com que essa semana fosse calculada em cima do salário base para camareiro/cabinista que é de 1115 dólares. Além disse tiveram descontos de vocês, de 200 dólares, referente ao seguro passagem, que é devolvido no final do contrato, e os gastos do seu crew pass. Além de camisa de calça do uniforme, para quem não tinha.

Ninguém havia lido mais nada além dos números baixos do salário, então todo mundo analisou melhor o comprovante, e viu realmente que haviam bem mais números ali, e haviam descontos e tals. Então agora vendo tudo aquilo, e sabendo que recebemos apenas por 13 dias trabalhados, o salário estava muito bom.
Então para ter certeza de tudo, perguntei ao meu chefe o quanto recebíamos de comissão por passageiro, ele respondeu.

Vocês ganham 17 dólares por passageiro em sua sessão, se na semana do primeiro cruzeiro, que é o que foi pago nesse salário, vocês tiveram uns 35 passageiros, calculem 17 por cada, e depois dividam 1115 por 4 e no final somem os dois resultados, diminuam os descontos de crew bar, seguro passagem e uniforme e vejam o que dá, se estiver errado me procurem que levo vocês ao chefe de contas do barco para um calculo de analise.

Eu fiz os meus calculos: Tive 32 passageiros, 32 x 17 = 544 dólares por aquela semana, dividi 1115 por 31, deu 36 dólares por dia, e fiz isso vezes os 6 dias que trabalhamos sem passageiro, 216. O salário deu 760 dólares com esses cálculos, então foi a hora de descontar, 200 do seguro passagem ( que realmente é devolvido quando você vai embora), mais 40 da calça do uniforme que tive que comprar uma a mais, e 46 de crew bar, era 1 dólar cada cerveja no navio.
Resultado: me sobraram os exatos 456 dólares que estavam guardados na minha cabine.

Senti uma alívio tremendo quando calculei tudo aquilo. Então passei a anotar todos os passageiros que eu tinha, semana a semana para comparar com o salário do final do mês, atém então eu estava com bastante passageiros, devido as datas comemorativas de Natal e Reveillon, que o navio lotou. E que semanas difíceis foram elas.

Eu nunca havia passado Natal longe da minha família, Ano Novo sim, mas Natal na minha família é sagrado, e foi o primeiro que passei longe. Os passageiros nos desejavam um "Feliz Natal", eu sorria, apenas pra fora, porque por dentro estava bem desanimado com aquele dia, imaginando como estava a entrega dos presentes no Amigo Secreto que acontece todo ano na casa da minha avó. o Crew Bar esse dia de Natal foi pura tristeza, todo mundo desanimado, querendo que aquela noite passasse logo e o dia seguinte mais ainda, para que chegasse o dia 26, um dia normal como outro qualquer no calendário.
Lembro que abri meu email, e entrei no orkut, para ver os recados dados a mim, haviam muitos me desejando sorte, força e um "feliz natal", mas o que mais me chocou foi o do meu amigo, o Bruno, que estava embarcado pela Ibero Cruise, que fez a entrevista lá, lembram? Então o recado dele era assim, na verdade um depoimento:

"Amigo, espero que esteja tudo bem com você aí, pois comigo não está. Aqui está tudo muito difícil, a comida é ruim, e eu até agora não tenho sessão, minha chefe chama-se Radka, ela é legal até, mas não me deu sessão ainda, eu estou só ajudando os outros, ela diz que eu sou muito lerdo pra ter uma sessão ainda. Além disso, eu fiquei enjoando por 15 dias, vomitei horrores, então só to mandando esse depoimento pra você pra lhe contar que amigo, me perdoa mas eu FRACASSEI, já assinei meu Sign-off e estou indo pra casa dia 23."

Quando li o depoimento era dia 26 já, então nem pude mandar nada para que ele mudasse de idéia.
O Ano novo foi mais animado no navio, foi o dia que bebemos muito, e no outro dia em vez de entrarmos as 9 como de costume em dia de navegação, entramos as 10, com permissão do nosso chefe Eldon. Foi ótimo.

Mas ali no meu caderninho o que me vinha de melhor recordação era o número de passageiros mesmo, que estavam altos.
Já era meio do mês de janeiro, não havia tanto passageiros como esperávamos, mas o que mais nos animava era que faltavam apenas 1 mês e meio para irmos para a tão esperada EUROPA.
E foi referente a ela mesmo que estavam comentando certo dia de janeiro no Crew Bar.

"- Dizem que nem todo mundo vai para a Europa, que só quem eles acharem melhor, o resto é mandado embora no final da temporada brasileira..."
" - Diz que só vai 10 de cada setor..."
" - Meu chefe já disse que terá cortes..."

Eram os comentários do pessoal dos outros setores, a galera do bar e restaurante tava temendo a dispensa, e pra gente, do Housekeeping, ainda não haviam falado nada. A grande verdade é que nosso chefe Eldon podia xingar, gritar, brigar, mas sabia que todo mundo estava ali porque precisava de dinheiro, então nunca mandou ninguém embora. Já os chefes dos outros setores não eram tão bons quanto.
Então realmente falaram de cortes no restaurante, porque precisavam de pessoas mais rápidas, alguns dos garçons não estavam acompanhando o ritmo do trabalho, isso refletia no comentário do passageiro, e o percentual ia direto para a diretoria da empresa, graças a Deus o setor com melhor desempenho era o nosso, acho que por isso não havia cortes no nosso departamento.
A dica foi dada, e a galera do restaurante estava preocupada com isso. Foi quando conheci melhor um dos rapazes mais interessantes que falei no navio, não pela beleza algo do tipo, que também não deixava de ser interessante, mas sim pela história de vida dele.
Estávamos no bar comentando sobre o que estavam falando que iriam mandar uma galera do restaurante embora, ele disse que não estava com medo, que confiava em Deus, que se fosse para acontecer de ele ser mandado, não se importaria, pois algo melhor estaria esperando ele fora dali.
A fé dele no próprio destino era comovente, então começamos a conversar e perguntar o que fazia antes de chegar ao navio, se já havia pensado alguma vez na vida sobre estar ali.
Eu falei:

- Cara eu nunca pensei que fosse trabalhar em navio, nem quando eu era criança, e olha que eu sempre fui de pensar sobre o que fazer, sabe quando a gente é moleque né, que falamos em ser médico, astronauta, artista de teve, pensei em tudo isso, menos "marinheiro" hehehehe...
Eu ri, mas vi que ele continuou sério e um pouco deprimido.
- O guri, que aconteceu, ta sério?

- Nada não guri, é que eu lembrei de uma coisa...
- O que, vai dizer que quando você era criança você pensou em ser marinheiro?

Ele olhou diretamente nos meus olhos, os olhos dele estavam molhados, mas não estavam tristes, havia algo vitorioso ali dentro daquele olhar, foi quando ele passou a responder o que eu disse.

" Na real Gustavo, eu não pensava nem que eu estaria vivo quando chegasse nessa idade, eu quando era criança vivia com medo, mas tudo mudou depois de um tempo."

Eu, o mais curioso, perguntei o que acontecia, ele me contou.

"Minha mãe faleceu quando eu tinha 5 anos, meu pai ficou bem de cara e ele começou a beber todo dia depois que ela morreu, eu tinha um irmão mais novo, e eu e ele ficávamos em casa sozinhos, até ele chegar bêbado, batia na gente, culpava meu irmão mais novo. A gente vivia chorando e tals, mas eu comecei a estudar e fazer amizades, então eu pegava meu irmão e a gente ia brincar na casa dos meus amigos de colégio, tentar ter uma infância legal, porque em casa era foda piá... Daí pra piorar ele quando eu tinha uns 9 anos, arranjou uma mulher lá, ela foi morar com a gente. Eu morava em um morro lá perto da rodoviária de Floripa. E morava bem no alto. Meu pai conheceu essa mulher em um bar, então imagina, era igual ele, bebia e ficava só fazendo zona, não melhorava em nada. Eu brigava com ela todo dia, pois ela não fazia nada em casa, parecia um chiqueiro e manda eu e meu irmão ficar limpando, fazia meu irmão faltar aula pra ficar fazendo as coisas pra ela. Eu a odiava. Falava pro meu pai sobre o que fazia, ele me batia e dizia que se eu não tava satisfeito eu que fosse embora. Eu morria de vontade de fazer isso Gustavo, só não ia por causa do meu irmão menor..."

Nessa parte da história eu já estava quase chorando, ele contava olhando diretamente pra mim, e eu não tinha o que falar, apenas o ouvia com toda atenção do mundo... Ele continuou.

"Um dia voltei pra casa e não encontrei meu irmão, perguntei pra mulher do meu pai lá e ela nem me disse nada, fui saber só a noite pelo meu pai que ele falou pra minha vó pegar ele porque a gente só dava despesa pra ele e agora com a mulher dele lá não dava pra ficar com os dois lá, e eu já tava crescendo e podia trabalhar ele não."

- Nossa piá, que foda... - era o que podia comentar, pois não havia conhecido nenhuma situação parecida até então... deixei ele continuar...

"... mas daí foi pior piá, ele me batia todo dia quase, porque eu além de estudar tinha que fazer tudo em casa, lavar roupa e tudo piá, e se ele chegasse e não tivesse feito, ele me batia. Daí comecei a trabalhar, entregar panfleto pra mercados perto de casa, e ele pegava todo o dinheiro, e ainda tinha que chegar e fazer as parada em casa. Um dia voltei sem dinheiro porque eu não tinha ido entregar panfleto, fui fazer trabalho de colégio. Falei pra ele e ele não me ouvia, me bateu muito piá. Eu falei que ia embora de casa, e fui. Só fiquei ouvindo ele gritar, volte aqui, volte aqui, eu passei a noite fora, mas passei frio, e decidi voltar pra casa... Quando eu voltei Gustavo, meu pai tava me esperando, ele tava com um pedaço de pau velho, tipo saindo aquelas ferpas de madeira sabe. Ele me fez ficar só de cueca, eu tinha 11 anos piá, ia fazer 12, me bateu, me bateu que me tirou sangue, me deu soco, na cara, eu fiquei atirado no chão, esse foi o dia que consegui sentir um pouco de compaixão pela mulher dele, foi ela que segurou ele, senão eu acho que ele tinha me matado, por isso eu digo que quando eu era criança eu nem sabia que estaria vivo hoje. Depois que ele parou de me bater, viu eu todo cheio de sangue e falou... "VOCÊ QUERIA IR EMBORA, AGORA VAI, AGORA VOCÊ VAI, PORQUE AGORA EU NÃO QUERO VOCÊ AQUI, VOCÊ NÃO IA EMBORA ANTES DE RECEBER O QUE MERECE POR FICAR ME DESAFIANDO"...
"Nesse dia foi o último que vi meu pai, dormi uns 3 dias na rua, sem nada, foi quando uma freira me encontrou e me levou pro Lar (não lembro o nome que ele disse, mas era de floripa msm), e agora to aqui. Nossa piá lá eu vive até ano passado, agora moro sozinho no centro ali, num quarto, mas to de boa, e depois que comecei a confiar mais em Deus do que nos homens, nunca aconteceu nada de mal pra mim depois que deixei as coisas acontecerem. Se os caras me mandarem embora, sei que Deus tem um futuro melhor pra mim, igual quando meu pai me mandou embora de casa, tudo melhorou na minha vida..."

Ele havia terminado de contar, meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas eu disfarcei para que não o constrangesse. Ele ao final de tudo questionou:

"- Nossa, nem sei o porque que eu contei tudo isso pra você"...
- Sei lá, você se sentiu a vontade pra contar pra mim, e nem se preocupe guri fica entre a gente de boa..."

"- De boa Gustavo, você é gente fina mesmo... Mas a vida é essa, tem coisa que não é a gente que decidi né, vamos ver se tiver o corte mesmo e me mandarem, a gente tem que pegar o contato um do outro, pra manter, e também quero o contato daquela tua amiga gostosa lá hein (ele tava falando da Dani)...."

Foi nessa hora que passamos a falar de mulheres, claro eu no trucão, e ele falando das camareiras, mas na minha cabeça a história de vida dele ficou impregnada, fiquei alguns dias com aquilo na cabeça. Eu pensava:

"tem gente aqui reclamando da comida, do trabalho, nossa, quanta gente não tem nada pra comer? Quanta gente gostaria de ter um trabalho, ou até mesmo de ter saúde para trabalhar?"

Sem perceber, aquele assistente de garçon, assistant waiter, fez com que eu firmasse minha vida no navio, que eu realmente não desistisse por nada, e a história dele fez com que eu mantivesse uma reflexão profunda sobre valores da vida...

Me segurei muito tempo e não contei a história dele a ninguém, estou compartilhando com você pois aqui ele está como anônimo. E com certeza, com o desejo, fé e perseverança do garoto, ele deve ta muito melhor que eu e muitos outros aí que ainda reclamam da vida, sem ao menos ter vivido o lado realmente ruim dela.

Essa história refletiu até no meu modo de trabalho, eu passei a trabalhar melhor, e isso me rendeu resultados bons, incluindo uma inspeção com o Morazam e Curt, que levei a melhor nota do deck, nada havia ficado pra trás, estava tudo muito limpo. Com aquela história toda de quem vai ou não para a Europa, me senti mais seguro, pois meu trabalho estava sendo bem avaliado.

E um cruzeiro antes do final do mês, nosso chefe Eldon fez uma reunião. Eu pensei que era uma reunião comum, que ele fazia toda semana antes do embarque do cruzeiro seguinte, mas a pauta da reunião era outra. Ele enrolou um pouco mas soltou.

"La Pullmantur vai empezar con un crucero pelo Atlantico, con passageiros Portugueses, e necessitam de personas que hablam portugues, entonces pediram que yo lles mande algunas personas, entonces quiero que las personas que desejam ir, firmem los nombres aca, la hoja estara en la oficina hasta mañana."

Isso assustou a todos. Alguns de nós iriam de transferência para outro barco, com cruzeiro pelo atlantico, com passageiros portugueses, ele nos deu a chance de nos voluntariar, mas independente disso, iriam pessoas de qualquer jeito. E foi nessa jogada que achamos uma solução para o tititi sobre a Europa.

Após a reunião, os camareiros mais chegados, todos brasileiros é óbvio, me chamaram para uma reuniãozinha nossa no crew bar...
Trabalhei ansioso para o tal encontro, e quando cheguei no Crew Bar, estavam todos lá. Dani, Marli, Fran, minha Help Lu, Sandrinho, Denilson, Gale, Bruno, e mais uma galerinha. Só sei que no total estávamos em 13 pessoas.
Então a máfia surgiu.
- Qual é plano?

NO PRÓXIMO POST TUDO SOBRE A MÁFIA EUROPÉIA HEHEHE, GALERA CONTINUEM ESCREVENDO E COMENTANDO ISSO EM EMPOLGA MAIS A ESCREVER, E A GALERA QUE TA COM DÚVIDA OU QUER QUE EU FALE SOBRE ALGUM CARGO DO NAVIO, FALAREI, FAREI UM VIDEO RESPONDENDO TODOS OS COMENTÁRIOS E PERGUNTAS DE VOCÊS. FAÇO ISSO A CADA 10 CAPÍTULOS. ENTÃO VÃO MANDANDO AÍ QUE LOGO JÁ SERÁ RESPONDIDO. DIVULGUEM E SIGAM ALI DO LADINHO..... vlw rapaziada....
TENSO A HISTÓRIA DO PIAZÃO NÉ? hehe mas me ajudou penkas!

FOTO : Galera família minha no navio!


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cap. 14 - O tão esperado dia - o primeiro pagamento


Continuandooo...

A luz estava apagada ainda, mas pelas sombras que surgiram ao abrirmos a porta, percebi que eu iria me encrencar com essa primeira inspeção, e o pior, como dizem, a primeira impressão é a que fica, respirei fundo e acendi a luz da cabine.
Estava um desastre. Roupas em cima da cama, a cama desfeita, mancha de maquiagem na penteadeira, dedos no espelho. Para minha surpresa, o chefe Eldon nem reparou nesses "detalhes", o que mais irritou a ele, foi ver duas toalhas usadas penduradas nos ganchos ao lado do banheiro, a ordem dele foi sempre trocar as toalhas tanto a noite, quanto de dia, nos dois turnos. Então ele se dirigiu a mim, com uma cara nada contente e disse:
"Que passo aqui muchacho? Esta un desastre! Por que las toallas no fueram cambiadas? Habla a mi, HABLAAAAA!"
E eu mais que ligeiro respondi:
"Chefe eu limpei a cabine mas os passageiros voltaram, e desarrumaram tudo, e as toalhas, eu não troquei porque tem um aviso ali no banheiro (e realmente havia), dizendo que para ajudar o meio ambiente e a empresa, só se troca as toalhas que estiverem no chão, as que o passageiro deixar pendurada é porque eles não querem que troque, que vão reutilizar..."

O meu supervisor apenas olhou pra mim com um olhar de desaprovação, Eldon, o chefão, então ficou mais vermelho do que estava e gritou...
"TOALLAS NO CAMBIAM SE NO ESTIVEREM EN SOLO?" PORQUE NO CAMBIASTE ESTAS?"

Em primeiro momento eu não entendi o que ele quis dizer repetindo a pergunta, mas alguns segundos depois vi o que era. As toalhas foram arremessadas violentamente ao chão, a parede, e contra as malas dos passageiros. Eldon estava louco, jogou todas as toalhas, inclusive a de chão, em toda a cabine. E repetindo, "Entonces ahora tendre de cambiar!", ele jogou tudo no chão. Após o ataque de ira, ele saiu da cabine sem ao menos fazer a inspeção, que é claro, depois da cagada toda, nem era necessária né, e Curt o acompanhou. Ele gritava no corredor, com meu supervisor, Curt.

"Este tico no sabe de NADAAAAAAAAAAAAAA" "Usted no hablou o que ele tendria que hacer???" "ELLE NO SABES NADAAAAAAAAA"...

Os dois se distanciaram, eu me senti muito mal, não por mim, mas pelo Curt, meu supervisor, o cara sempre foi muito gente fina, não merecia aquele sermão por minha causa, apesar de realmente nunca ter me ensinado nada. Apenas cobrado, então, fazer o que não é? É o que tinha para aquele dia.
Depois que eles saíram, alguns camareiros que trabalhavam próximos foram até mim, perguntar o que havia acontecido. Eu expliquei e todos ficaram amedrontados, todo mundo fazia a falcatrua de receber REFUSED e por no DAILY REPORT que havia sido feita. Todo cuidado é pouco em navio, as vezes que você faz alguma coisa errada, sempre tem alguém pra dedar ou o destino faz com que a casa caia. Mas tirando essa vez que foi uma exceção, no restante eu me dei bem.

O Curt voltou no final do expediente noturno, para falar comigo, eram quase 11 da noite quando ele chegou, eu chamei ele, e pedi desculpas pelo acontecido, ele falou que a culpa não era minha, era apenas dele de não ter dado treinamento algum para nenhum dos novos camareiros que estavam nos decks onde ele era responsável. Fiquei feliz com a atitude dele, e mais feliz ainda por não ter me xingado e me dado trampo extra, ou ficado no meu pé. Passaram-se alguns dias, e ele juntou a galera de dois andares, somente os novos, e arrumou uma cabine pra gente ver como que era, passo a passo. Isso ajudou muito os novos e fez com que eu trabalhasse melhor.
Já era quase final do mês, e estávamos perto de receber o primeiro salário. No Crew Bar, depois do nosso longo expediente diário, conversavámos, eu e toda a galera, agora maior com a junção de outros setores como Bar e Restaurante, e uma cleaner que conhecemos, e logo que a conheci a contratei pra ser minha helper durante a semana caso eu precisasse, todos a conheciam como Lu, até ele trabalhar pra mim, assim que começamos a trabalhar juntos, eu sempre a chamava apenas de Help, nem helper era e sim help mesmo, e assim todo mundo passou a chamá-la. Ela não se importava, achava divertido, então o apelido pegou. Estavámos falando de como havia passado um mês quase, e já parecia estarmos a muito mais tempo dentro do barco. Verdade mesmo galera, a impressão que dava era que estávamos a uns 4 meses já, pois a vida lá dentro é muito intensa, acontece muita coisa todos os dias, é muita informação.
Haviam pessoas ótimas, personalidades fortes, mas que não estavam aguentando a saudade da família, um exemplo de um caso desse é nossa querida Larissa, nordestina arretada que morava em Floripa, ela trabalhava bem, não reclamava da rotina que levávamos, a única queixa dela era a saudade que sentia da família.
Fui dormir com esses assuntos na cabeça, o tempo que estávamos embarcados, com pensamento sobre a falta da família, e sobre a má impressão que deixei o chefe Eldon ter de mim.
Faltavam 4 dias para o dia do pagamento, e o relógio parecia andar em camera lenta...
Melhorei meu modo de trabalho, parei de fazer refused frequentemente como outros camareiros faziam, queria mudar a impressão que Eldon teve de mim. Meu supervisor Curt viu o quanto melhorei, ele sorria ao entrar nas minhas cabines, estava realmente satisfeito. A cagada é que o Eldon nunca mais acompanhou os supervisores nas inspeções. Então quando havia uma nova, eram dois supervisores, não mais o Eldon. Geralmente era o Morazan, que era quase um chefe Eldon, só que um pouco mais estúpido.
Após uma das inspeções que estavam tendo no nosso deck, eu e a Fran, que trabalhava na sessão ao lado da minha, nos juntamos em uma cabine para conversar a respeito da inspeção, com havia sido. Eu não havia tido problema na minha, ela também não, então como ela já estava por lá, começou a arrumar o banheiro e eu fui fazendo a cama. Ligamos a tv só para ouvir algo que estava passando. Quando ligamos estava no canal de filmes do navio, não estava em nenhuma emissora, o filme era DOIS FILHOS DE FRANCISCO. Já estava acabando o filme. Foi automático, eu e a Fran paramos o que estávamos fazendo. E olhamos a cena que passava. Era o final do filme quando Zezé di Camargo e Luciano estão num show, e seus pais entram de surpresa, que eles choram. Eu olhei para o lad, um pouco tímido, pois eu estava chorando também, e não me surpreendi quando vi a Fran, aos prantos, chorando e dobrando as toalhas.

- Eu to com muita saudade da minha mãe... - eu confessei a ela.
- Eu também, eu quero muito minha família, muito...

Nos abraçamos, e choramos mais um pouco. Não choramos pelo filme, mas sim pela emoção que seria rever nossas famílias, a gente entendia o que Zezé e Luciano estavam sentindo ao ver os pais ali do lado deles, a diferença, é que a nossa família, a gente só iria ver no final do contrato, e por mais que parecesse ter passado um bom tempo dentro do navio, ainda estávamos no primeiro mês...

Mas essa tristeza foi embora logo, pois finalmente chegou o dia do pagamento. O primeiro pagamento em dólar da minha vida.
O pagamento é dividido por setor, todos recebiam no mesmo local, mas em horários diferentes, o Housekeeping, recebia pela manhã, a partir das 9 da manhã, mas isso muda de barco para barco.
A fila estava grande, todos camareiros de primeira viagem rindo a toa, aguardando o tão esperado salário.
Eu era o primeiro dos novatos na fila, o restante estava atrás de mim, cheguei perto da mesa, o rapaz do outro lado dela pediu meu crew pass, eu entreguei, ele me deu um envelope com uma folha grampeada, pediu para que eu assinasse outra folha, também, então pegou o envelope e foi contar as notas na minha frente, para garantir que eu recebi exatamente o que estava no papel. Eu estava tão empolgado que nem vi que tinha o valor do lado da folha. E quando ele retirou as cédulas do envelope para contar e me mostrar, pensei imediatamente o que precisaria fazer logo depois de pegar aquele dinheiro....
"Preciso ligar para a minha mãe"...
O rapaz pediu para que eu assinasse a guia que ficava com ele. E foi quando eu conferi realmente o valor ao lado do meu nome...
Todos pararam de sorrir eu ver a minha expressão facial...
"Gustavo o que aconteceu? Quanto você ganhou?"
"Gu diz aí pra gente?"
"Nossa parece que viu um fantasma! O que ta escrito aí?"
Então eu fiquei de frente a galera, o envelope em uma das mãos, e o comprovante de pagamento eu outra, onde continha os valores. E falei..

- Olhem isso aqui!!!

Todo mundo olhou, até que uma das brasileiras mais velhas, mas não menos bela do que as mais novas, exclamou:

- Meeeuu Deeeuuus!

As palavras sairam lentamente da boca dela...




GALERA EU CONTINUO AMANHA OU DEPOIS BELEZA, LOGO QUE CHEGAR NO CAPITULO 20 EU FAÇO UM VIDEO RESPONDENDO TODOS OS COMENTÁRIOS, TO CURTINDO MUITO LER A OPINIÃO DE VOCS.. QUALQUER DUVIDA PERGUNTA.... VALEU MSM, ASSIM EU FIKO CADA DIA MAIS EMPLOGADO A CONTAR A MINHA HISTÓRIA A VOCES!!!!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

As primeiras desistências...


Era o último dia da primeira semana de cruzeiro. Um dos dias mais importantes para o navio todo. É o dia da entrega da "avaliação do cruzeiro". É entregue por nós, camareiros, um papel onde o passageiro escreve a opinião dele referente a cada serviço... Na Pullmantur, a avaliação do camareiro vem me duas partes, em limpeza da cabine e atendimento do camareiro. Faça de TUDO para que o passageiro de nota máxima a você, e se puder, deixar um comentário, isso ajuda muito, mas muito mesmo. Isso impede que seu chefe fique no teu pé, além do que, o bom atendimento rende gorjetas, e foi aí, no último dia, que soube que o importante aqui no Brasil, é sua simpatia e atenção com o passageiro, isso o conquista.
Gente confesso a vocês, quase chorei no último dia, me despedindo dos meus primeiros passageiros, parecia conhecê-los tanto, convivido tanto tempo juntos, mas no fim, era apenas uma semana, a primeira de muitas, e eles era os primeiros de muitos, mas a primeira semana é a mais difícil, a mais carente, a que você mais pensa em desistir.
Eu pensei, e todos os outros também pensaram, mas alguns não só pensaram, como fizeram.
O primeiro camareiro a desistir foi um que não me lembro o nome, mas era bem visível saber que ele não aguentaria, ele era enorme, tanto pra cima quanto pros lados, mal cabia dentro do banheiro das cabines, mas era uma pessoa maravilhosa, simpático, gente fina mesmo, mas para camareiro ele não daria certo.
Quando ele pediu o "sign off", o meu chefe direcionou ele ao Mister Nuno, o todo poderoso da Pullmantur, para ver se ele poderia mudar de setor, algo do tipo. Ele não quis mesmo, ele queria ir embora, e foi, junto com os meus queridos passageiros, ele desceu também, com um sorriso estampado no rosto. O primeiro desistente.
Não houve tempo para despedidas, pois era novamente, dia de embarque. Mas pelo menos dessa vez, eu peguei um helper. Um músico, brasileiro, ele não sabia nada, ensinei a ele o que devia fazer, ele fez, devagar mais fez, ajudou, mas o mal de helper brasileiro é que sempre quer dar uma de esperto, cobrando mais, fazendo menos, mas como eu era inexperiente e inocente, aceitei o preço que ele cobrou, e o serviço nas coxas. US$60,00 ele cobrou, não aspirou, nem repôs os amenites no banheiro.
Mas o restante ficou de boa.
Todos fomos almoçar, o comentário foi a primeira desistência, gorjetas, e novos passageiros. Havia comida no prato ainda, quando um dos supervisores chegou ao "crew mess" (restaurante da tripulação - refeitório). "Maletas, maletas", ele gritava. Nem podia terminar de comer, pior era quando eles iam batendo na porta das cabines onde a gente vivia, e se não atendesse, eles abriam, nossa um absurdo, o dia de embarque no Soberano era realmente um inferno.
Teve mais desistências nos outros setores também, na verdade, no Soberano o Housekeeping foi o setor menos vazado da época. Não que fosse mais fácil, mas haviam pessoas mais dispostas e mais loucas que os outros setores.
Por pior que fosse o dia, a maioria dos camareiros iam para o "crew bar", nem que fosse apenas para fumar, ou beber uma cervejinha, estávamos lá quase diariamente. E isso ajuda muito, a vida social é essencial num barco.
As semanas foram passando, e eu já não terminava as 15, 16 horas, com antes, agora eu conseguia terminar as 14 horas, mas o corpo continuava dolorido, calos que eu nunca tive, começaram a aparecer, junto com as gorjetas e cada dia me aproximando do dia do pagamento, o meu primeiro pagamento em dólar.
Nesse meio tempo, os supervisores avisaram que começaria a ter inspeção toda semana, para verificar o nosso trabalho e ajudar na evolução da limpeza da cabine.
Durante o primeiro mês, aprendi algumas coisas que me ajudaram a aguentar melhor o primeiro mês, que é o mais difícil para a mente e para o nosso corpo. Uma palavra que vocês que pretendem embarcar de camareiro vão amar: REFUSED!

O "refused" é a recusa do trabalho pelo passageiro, você bate na porta, e se o passageiro está dentro, oferece o serviço e caso ele recuse, que é ótimo quando acontece, você coloca no "daily report" essa palavra, o tal de refused. Mas claro que você não colocará em todos que receber, pois se tiver muito refused, teu chefe te mata.
Por isso eu não escrevia Refused, eu recebia refused e marcava como limpo, onde você marca horário de entrada e saída da cabine.
E num belo dia, eu resolvi fazer isso, fui numa cabine que eu sabia que o passageiro estava dentro, bati e ofereci a limpeza, no turno da noite claro, é onde você pode fazer isso, então recebi a recusa e não marquei refused, e sim as horas de entrada e saída, como se tivesse limpo a cabine.
Para o meu azar, eu não havia feito nenhuma ainda, apenas tinha ganho o refused de um casal. Foi quando eu escutei os rádios pelo corredor. Os rádios são um ótimo havia para que você saiba que sei chefe ou supervisor está chegando, como o Tic-tac do relógio do crocodilo em Peter Pan.
Mas pra piorar a situação, não era meu supervisor, o Curt, ou o meu chefe Eldon, eram os dois juntos.
Até então pensei que iriam apenas passar, mas pararam perto de mim, e perguntaram sobre o meu "daily report", mostrei ele, e foi quando disseram a mim:

- Arreglou solamente una cabina?

Eu confirmei meio gaguejando, mas disse que sim, eles continuaram:

- Entonces nosostros vamos haver una inspeción...
Eu dei um sorriso amarelo e fui caminhando até a porta da cabine, rezando para que os passageiros estivessem dentro, bati na porta uma vez, esperei 10 segundos, bati outra, nada, bati a terceira e última vez, eles não estavam na cabine.
Abri a porta e pensei...

FUDEU!


GALERA DESCULPEM A DEMORA PRA POSTAR, MAS EU TO TRAMPANDO AKI EM TERRA DAI FICO SEM TEMPO E TALS, TA COM POUCOS COMENTÁRIOS HEIN, UAHAUHAU COMENTEM GALERA Q AS VEZES PENSO Q NINGUEM TA LENDO DAI ESPERO MAIS TEMPO PRA POSTAR, E DIVULGUEM A AMIGOS E INTERESSADOS A ENTRAR NO NAVIO.... UM GRANDE ABRAÇO.... RS


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cap. 12 - Primeira semana - O CAOS


Continuando...

Após o grande e longo dia de embarque, fomos dormir, todos mortos, mal nos falamos, eu e os outros camareiros ficamos cansadissimos do trabalho.
Dormimos o máximo que conseguimos, mas não foi o suficiente. Agora sim, estávamos começando a trabalhar no navio. O trabalho de verdade.
A rotina começou, pegar a chave da sessão, ir até a lavanderia (laundry), dobrar as toalhas, e começar a limpeza das cabines.
Nesse dia, foi que conversei melhor com os passageiros, com menos pressa...
Uma das passageiras, chegou em mim toda feliz, e perguntou:

- "Você não se importa de sua gorjeta ser em reais, ou quer eu que eu troque em dolares? Onde posso trocar?"

Foi aí que comecei a me animar com o trabalho, respondi:

-" O que é isso, nem precisa..."

Falei isso pra ser simpático, mas tava louco para que ela me desse uma graninha.
Então ela disse mais algumas coisas, também querendo ser simpática e me entregou o dinheiro em reais.
Foi minha primeira gorjeta, 20 reais, não foi nada mais marcou por ser a primeira.
Aquela cabine foi a que eu mais caprichei no cruzeiro, seria a mais cuidada da semana, se a mulher e sua família tivessem ficado uma semana no navio. Mas não ficaram.
Continuei arrumando as cabines, cheguei na cabine do casa paranaense, havia dois bombons em cima da mesa, com um bilhete escrito.

"Esses bombons são para adoçar seu dia, um beijo"

Essa cabine sim, eu caprichei a semana toda, e foram passageiros inesquecíveis para mim. A primeira semana é a onde você mais se apega aos passageiros, pois ficamos muito sensíveis com tudo, e qualquer aproximação se torna forte e significativa.
Essa semana foi difícil, cansativa e longa, mas pra ajudar, o navio estava com problemas, os banheiros não funcionavam, a água também, algumas cabines alagaram, outras não tinham água, foi um verdadeiro caos. Os passageiros juntaram-se no segundo dia de cruzeiro na recepção, mais de 200 pessoas gritando, xingando e querendo seu dinheiro de volta. O negócio ficou feio pra a CVC, empresa responsável pelos navios da Pullmantur aqui no Brasil.
Metade dos passageiros desceram do navio, ficaram em um hotel pago pela CVC em Costa do Sauípe, e pagaram o vôo para cada um dos passageiros para Santos.
Foi o fim da viagem da família da minha primeira gorjeta, mas alguns passageiros meus preferiram ficar a bordo. Inclusive o casal paranaense, que eram hiper simpáticos, me deixavam algo na cabine todos os dias, incluindo gorjetas também.
Pessoas assim é que fazem o trabalho ser prazeroso, fazem o teu dia ser mais leve e valer a pena. Mas preparem-se porque nem todos os passageiros são assim. Precisa ter muito jogo de cintura para trabalhar com eles.
Nesta semana, a minha cabine alagou, eu e o Sandrinho tivemos que dormir em outras cabines e pedidos para nosso chefe arrumar o banheiro... Ele não arrumou, ele apenas nos trocou de cabine.
E pior, separou eu e o Sandrinho. ele foi morar com um colombiano, que me fugiu o nome da memória agora. E eu fui morar com um hondurenho, para ajudar, ele odiava brasileiro, e fazia questão de falar isso para mim, como se eu não fosse.
A situação do navio foi melhorando com o passar dos dias, eu estava lá a duas semanas, e pareciam um mês. Foi essa semana que fiz a primeira ligação para a minha mãe, de dentro do navio.
O telefone tocou algumas vezes, então ela atendeu, eu disse "Alô", ela respondeu toda carinhosa e feliz, deu pra sentir tudo isso na voz dela, amor sabe, aquele, só de mãe.
Quando ela disse, as palavras ficaram presas na minha garganta, subiram para meus olhos e saíram em forma líquida, mais conhecidas como lágrimas. Então chorei, chorei de verdade. Nunca fui de passar muito tempo em casa, com irmãos e minha mãe, sempre estava saindo, balada, amigos, festas e bares, nunca soube o quanto a minha família faria falta para mim. Foi lá no navio que descobri o quanto eu amava a minha família e o quanto eles fazem falta para mim. É amigos, não é fácil não.
Nessa primeira semana nos últimos dias dei umas passadas no crew bar, e comecei a interagir com a galera dos outros setores, era todo mundo muito gente fina, alguns mais sérios, outros hiper divertidos, mas todos pessoas de boas intenções. Até então, até então...

GALERA FOI MAL A DEMORA.... POR FAVOR COMENTEM E INDIQUEM A AMIGOS, SIGAM ALI DO LADO EM "SEGUIR" E me perdoem, era pra eu postar mais hoje, mas meu pai não para de falar e eu não consigo me concentrar.... #paisemnoção

FOTO: Camareiras na fila para pegar a chave... na verdade a chave é um cartão magnético

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cap. 11 - O Primeiro Embarque


Finalmente o trabalho começou...

Eu acordei as 6 horas da manhã. chacoalhei o Sandrinho, ele acordou também, fomos pegar a chave da sessão na Oficina como toda manhã, e fomos comer algo rapidíssimo, estava prestes a começar o primeiro embarque. Todas as cabines do navio foram ocupadas, então todo mundo iria se foder pra trocar tudo, mas nós novatos, queríamos tentar fazer o embarque sem "helper", porque achávamos que isso era possível até então.
Todos os camareiros estavam reunidos e indo correndo para suas sessões quando o chefe Morasan chamou todos e disse...

"NO NECESSITA CAMBIAR LAS SABANAS" los agentes se quedaram solamente ayer, no necessita cambiar entonces"

Aquilo surpreendeu a todos, não iríamos precisar trocar os lençóis pois os agentes ficaram apenas um dia, então não estavam sujas as roupas de camas, é lógico que se estivesse trocaríamos, mas vou confessar, eu não conferi nada, apenas arrumei as camas. Mas vou contar desde a minha chegada a minha sessão até o término das cabines...

Depois que ouvimos aquilo, todos sorriram, ficaram felizes pela atitude inesperada de um de nossos chefes. Após isso, fomos todos a Laundry buscar toalhas limpas. Na Pullmantur não se trabalha com carrinho, então leva-se as toalhas em sacos grandes e na mão, acha força. rs
Após levar as toalhas até o sexto deck, que era onde eu trabalhava, fui para a missão quase impossível, organizar tudo, limpar, aspirar, arrumar as camas, tirar o pó e limpar o banheiro, repor os amenites, colocar gelo, e garrafa de água. Isso tudo em 17 cabines, algumas de 2 pessoas, outras pra 3, outras pra 4. Isso tudo sozinho.
Claro que isso não é nada depois que você está lá á algum tempo, mas o primeiro embarque é horrível, nunca invente de querer fazer sozinho no começo, isso você pode tentar mais tarde, depois de no mínimo um mês. Mas no começo do contrato, JAMAIS, OUVIU? JAMAIS!!!

Eu estava na décima primeira cabine quando comecei a sentir dores horríveis no braço, uma lágrima escorreu do meu olho, e a minha vida antes do navio passou por um segundo pelos meus olhos...
A minha mãe cozinhando feijão, aquele cheiro irresistível que mata a gente de saudade no barco, pois lá não tem feijão... Eu do lado da minha mãe vendo filme em domingo chuvoso, ela brigando comigo falando sobre eu ir logo para uma faculdade, meus sobrinhos me chamando pra brincar de "Naruto", os meus sobrinhos dando tchau no dia que fui embora, eu chorando quando estava saindo de casa, meu ex chegando chorando em frente a agência 5 minutos antes de eu embarcar na van, a minha cama, as minhas horas perdidas deliciosamente na internet, o meu corpo sem dor...

Agora não era apenas uma lágrima que caía, eram várias, mas era aquele choro silencioso, que só sabem que você está chorando se olham pra sua face, eu estava sozinho na cabine, toda aquela correria, meus braços cansados, eram quase 11 horas eu eu tinha muita coisa pra fazer ainda...

Essa foi a primeira vez que pensei em desistir, pensei comigo " O que eu to fazendo aqui meu?" Será que isso vale a pena, será que realmente preciso estar aqui?
É galera, não é fácil, mas é comum, todo mundo pensa em desistir, pelo menos uma vez, e essa foi a minha...

Mas esse momento passou, eu continuei meu trabalho, mesmo não aguentando mais, eu consegui, arrumei tudo que achei que era mais importante pro passageiro, fiz o que pude, para um primeiro embarque acho que não foi tão ruim.
Fui almoçar, encontrei alguns camareiros, conversamos sobre o primeiro embarque, estávamos todos mortos, pois a grande maioria não havia pego helper, além disso, não tínhamos experiência alguma, então uma cama que hoje faço em dois minutos, na primeira vez eu fazia em 8, então nem preciso calcular o resto.
Estavámos todos almoçando. alguns começando a comer, quando de repente chegou um dos assistentes do chefe Eldon, era o Morazan, o mesmo que aliviou nosso trabalho dizendo que não precisava trocar todos os lençóis.
"Vamos, todos, vamos, maleta, mucha maleta, vamos"
Ele berrava, todos no crew mess olharam pra gente, alguns assustados, outros com o pior sentimento que existe: PENA.
A gente levantou e o seguiu, não entendemos a urgência do fato, então chegamos aos elevadores da tripulação. Haviam centenas de bagagens, formando montes em frente aos elevadores, os cleaners, jogavam elas dentro do elevador, então Morazan pediu que cada um de nós fosse ao seu respectivo deck, e pegasse a bagagem dos passageiros de nossa sessão.
Foi isso que fiz, esperei as malas subirem, e todas que tinham marcado o número de alguma cabine de minha sessão, eu pegava e levava até a porta da cabine, batia na porta e saía. Indo pegar a próxima maleta. Isso dura uma tarde inteira, com intervalos de tempos em tempos, onde acabam as maletas e você deve ficar lá esperando chegar mais. Aproveitei para conhecer alguns passageiros que eu via chegando, como não havia muito tempo, eu perguntava apenas o turno do jantar, falava do meu horário de trabalho, e sobre a comunicação através dos cartões verde e vermelho, o restante se o passageiro tivesse dúvida perguntaria, ou eu conversaria a noite, pois estaria com mais tempo.
Eu, Mércia, Fran, Rodrigo, e outros, trabalhávamos no mesmo Deck, era divertido, sem falar que o responsável pelo nosso deck era o Curt, o mais gente fina de todos os Assistant HK.
Nesse dia eu não sabia o que era parar, trabalhei o dia todo, além de limpar todas as cabines pela noite também. Conheci meus passageiros, mas pra ser sincero, lembro apenas de duas cabines, uma mulher que fazia mais de 6 anos que não viajava, estava com família, marido e filho, e um casal de Foz do Iguaçu, que além de bonitos, eram elegantes, jovens e muito simpáticos.

NO PRÓXIMO POST CONTO A RELAÇÃO COM OS PASSAGEIROS E A PRIMEIRA E CATASTRÓFICA SEMANA DO SOBERANO NO BRASIL! É GENTE EU ESTAVA LÁ! SAIU NO FANTÁSTICO E TUDO! rsrsrs

COMETEM E SE TIVEREM ALGUMA DÚVIDA PERGUNTEM, RESPONDO TUDO! E PERGUNTAS MAIS CALIENTES RESPONDO SEM CITAR NOME, RS ABRAÇOS E BJOS

foto: MÉRCIA braba não sei com o que... ainda Crossing!

PRÓXIMO POST FOTOS DOS MOMENTOS CROSSING RECIFE-SANTOS

terça-feira, 20 de julho de 2010

RESPONDENDO OS COMENTÁRIOS E PERGUNTAS


Eu adoro ler os comentários de vocês! Qualquer dúvida escrevam junto com o comentário sua pergunta, aqui vou responder algumas coisas que perguntaram desde o meu primeiro post.

Vanessa Santos perguntou a respeito do inglês, se realmente precisa ser fluente. Como eu contei sobre a minha entrevista da pra ver que não realmente mesmo ter inglês fluente, o básico já está bom, o importante é você se dar bem na entrevista, e claro, depende do cargo que for levar, cargos de staff sim, necessitam o inglês fluente, para recepção, spa e etc...
Cargos de hotel, garçom, bares e camareiros, necessita do básico, mas quanto mais souber melhor, pois não se sabe quanto o candidato ao seu lado conhece de línguas estrangeiras. Então ta aí a dica!

O Fael perguntou sobre os exames médicos, então... O exames depende de qual empresa você vai trabalhar, umas pedem fezes e catarro, outras não, mas de sangue pedem todos, colesterol e etc... Exame de HIV e HEPATITES, tudo mesmo, os exames são válidos por um ano, mas na real em cada contrato que você for fazer, terá que fazer novos exames. Tentem fazer por plano ou pelo SUS mesmo, porque a agência vai pedir que façam por onde eles indicarem, mas isso não é realmenete necessário (é máfia), então tente fazer gastanto menos possível, pois fazendo com o laboratório indicado pela agência vai gastar no MÍNIMO 500 reais! Ta aí a dica!

Lulys falou que não tem experiência e quer saber se rola sem mesmo. É só dar uma lidinha lá no capítulo da entrevista, o importante é você saber que não tem experiência, eles não, pra eles você deve ter auhauhauhau! Então galera, na época que eu fiz a entrevista, foi sussi, pois náo precisava demonstrar nada de prático, mas agora em algumas entrevistas, dependendo da agência, tem que demonstrar sua experiência, no caso, uma entrevista prática, onde você deve arrumar uma cama, ou servir um café, ou um jantar, claro, tudo simulado, mas as vezes precisa, se informe antes da entrevista com a agência e se prepare melhor, se caso treinou para arrumar um tipo de cama, chega lá, o set up (o jeito que deve ficar a cama) for diferente do que você sabe, você diz que no hotel que você trabalhou o set up era diferente, pq nos navios tem camas com Duve (capa de edredon) e outras que não tem duve, e são set ups diferentes.

Uma pessoa querida que lê o blog perguntou se há homens interessantes no navio. Tem sim meu amigo, homens, mulheres, gays, lésbicas, há realmente de tudo, pessoas más, pessoas boas, nerds, malandros, e pessoas de boa fé, basta você saber com quem mais se identifica, mas pra relacionamento sexual, sempre tem gente interessante,

lsouZa, adrina_cap200 e a adriana falaram sobre a despedida, que sentiram e até choraram quando leram o que contei sobre a minha. Realmente gente, é dificil, é muito dificil, por mais que você pense que não é tão apegado a família, é nesses momentos que você vê realmente o quanto ama ela. E também seus relacionamentos, as vezes você pensa que a pessoa nem gosta de você, mas daí quando você está indo embora, que ela ve que está te perdendo (pelo menos por um tempo), ela vai sentir e você também, é díficil, mas é necessária. Vão com fé que tudo da certo.

fernanda logo estará embarcando, mas pra trabalhar no SPA, Fer não fique tão assustada, quem trabalha no SPA é staff, então a vida é um pouquinho melhor, claro, terá passageiros chatíssimos pra você atender, pois eles fazem cruzeiros, parcelam em 10 vezes e pensam que são riquissimos por isso, normal, mas normal, isso acontece aqui em terra também. No caso do Spa, não sei se em todo navio, mas geralmente se ganha uma comissão atingindo a meta no mês, mas a meta do SPA todo, não são metas individuais, sempre por equipe. Os horários são mais flexíveis, então terá tempo pra fazer turismo e até algumas excursões pelo navio mesmo, que se tem vaga na excursão de passageiros, pode ir tripulante também. Boa Sorte !

luana logo postarei várias fotos, farei uns posts só com as fotos de casa época no navio pre vcs irem conhecendo tudo e ver como que é e tals rsrsrs bjão!

tha eu não estou embarcado agora, já sai faz um mês quase, mas a vontade de voltar ta foda, auhauah, mas não posso ir agora, preciso resolver algumas coisas aqui. Fique com medo não, o cursoSTCW é cansativo, mas o ultimo dia, da aula prática é muito divertido e faz tudo valer a pena, vai com coragem que não é tão assustador trabalhar ONBOARD como se pensa... as vezes é, mas não são todos os dias. rsrs

viagem to usa - lukas valeu pelo comentário, estou contando tudo que mais marcou, pois esse primeiro contrato aconteceu a dois anos, do ultimo contato poderei contar mais coisas, mas o que mais recordo ta sendo postado aqui, sem esconder nada rsrsrsrs vlw por acompanhar!

os eternos, você não devia ter desistido, apesar que não conheço o motivo da desistência sua, mas se tem o curso STCW e tudo, vá, faça novas entrevistas e tente novamente, a experiencia é muito válida, você voltará outra pessoa, pode confiar em mim.

tatiana o endereõ de email que deixou, é apenas para email ou é msn? bjos

Quero agradecer também as pessoas que comentaram sobre os posts:

Ramon moura, adriana,ayeska, tiago (historia parecida), mariana, chang, ver depois, adriana de novo, dconcurseira, russo, lulys, joy calindo, Ive,seila scherma - ex crew parceira (trabalhou com Bruno, meu melhor amigo)

GENTE! DA PRÓXIMA FAREI UM VIDEO RESPONDENDO AS PERGUNTAS DE VOCÊS E COMENTANDO SOBRE O NAVIO, DEIXE PERGUNTAS E COMENTÁRIOS QUE LEIO TODOS E RESPONDOS TODOS MESMO! UM VIDEO É MELHOR NÉ RSRSRS
HOJE POSTAREI MAIS TARDE SOBRE O PRIMEIRO EMBARQUE DE VERDADE!
RS
BJÃO E COMENTEM E PERGUNTEM, E SIGAM E INDIQUEM A AMIGOS RS
UM GRANDE BJO A TODOS!

foto - não tinha o q por, coloquei a da abertura do meu PC, que mongo neh auhauhauhau

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cap. 10 - O embarque dos agentes


...

Era sexta-feira, teve embarque de agentes de viagens, o navio não saiu do porto, só posou no porto com os agentes pois o verdadeiro embarque aconteceu no sábado.
Então pela manhã colocamos o Diário de Bordo nas cabines, e revisamos alguma coisa que precisava ser feita, pois estava tudo pronto.
Primeiro você deve receber o passageiro com serviço de primeira, apresenta a cabine a ele, desde de o colete salva-vidas à como dar a descarga no banheiro. Cada detalhe, claro que isso supostamente, nem sempre dava pra apresentar a cabine, porque explicar cada detalhe é capaz do passageiro pensar que estamos o chamando de burro. Então explica-se o necessário, e as vezes o passageiro ta com pressa, então você apenas se apresenta e diz o horário que você estará disponível a ele. IMPORTANTE dizer sobre o cartão de comunicação entre camareiro-passageiro que fica na porta. O verde indica que o camarote está livre e que o camareiro pode entrar para fazer a limpeza, e o vermelho que não perturbe, não podendo tocar na porta em hipotese alguma, apenas em caso de emergência. Explica isso para o passageiro, poir facilita HORRORES o seu trabalho.
Como os passageiros então entrando, por mais que foi apenas um dia, os lazarentos dos agentes levaram bagagem grande, isso quer dizer, muito trampo pro camareiro. Nos embarques os camareiros, além de se foderem pra arrumar todas as cabines de sua sessão, trocando lençois, lavando banheiros e etc tudo isso num espaço curtíssimo de tempo. Você depois de almoçar (em 10 min) tem que voltar a sua sessão para pegar as bagagens dos passageiros e colocá-las em frente a cabine de acordo com o numero que está nela.
A parte das bagagens ou como dizem sempre em navio, "maletas", cada chefe tem uma forma de fazer, a melhor forma que trabalhei foi no primeiro contrato, com o chefe Eldon, que cada um levava a bagagem apenas das cabines de sua sessão, então você trabalhava de acordo com o número de passageiros que tinha. Já em outros navios, todos os camareiros deviam levar todas as malas, independente se eram de sua sessão ou não. Isso é foda porque foge do controle e ninguém trabalha igual a ninguém, sempre tem os espertos, geralmente os Hondurenhos que são folgados, fogem do trabalho e fica sempre os mais novos e inexperientes se fodendo levando todas as maletas. Então prepare-se, pois o dia de embarque é o pior dia da semana, carregado de estresse e discussões.
Quando acaba as maletas, também acabou a tarde, e você já está trabalhando umas 10 ou 11 horas sem parar.
Foi assim meu primeiro dia com passageiros, e olha, que de manhã não tivemos que arrumar as cabines, então foi um embarque fácil.
Tivemos uma pausa para jantar, tomar um banho e voltar para fazer o serviço da noite. Para quem não sabe, no navio se limpa a cabine duas vezes ao dia, uma pela manhã e outra pela noite.
AH! ESQUECI. Quando você se apresentar para o passageiro pela manhã, pergunte o turno de jantar que ele pertence, pois isso também ajuda no seu serviço noturno.
A limpeza da noite é feita de acordo com o turno do passageiro, se ele é do primeiro turno do jantar, é a primeira cabine que você vai fazer, então você faz primeiro todas do primeiro turno e depois vai limpar as dos passageiros que jantar no segundo turno.
Mas como você se fodeu o dia todo pois era embarque, no dia de embarque geralmente não se faz o serviço a noite, mas claro que se chefe não precisa saber disso. Pois o passageiro apenas chegou na cabine, jogou a mochila e nem mexeu em mais nada. Então realmente não tem o que fazer.
Mas caso você fique com dor na conciência de não entrar na cabine, tem como você fazer com que o passageiro dispense o trabalho da noite. rsrsrs
Logo postarei um video demonstrando como se faz.
Mas como era meu primeiro contrato eu não tinha esses macetes ainda. Fui e fiz a limpeza de todos as cabines pela note também. Apesar que como eu disse, nem tem muito o que fazer a noite no dia de embarque.
Fui dormir depois de um dia muito, mas muito cansativo. Mas o pior de tudo, é que esse embarque foi apenas dos agentes para conhecer o navio, eles iriam embora no outro dia de manha. E todos nós íamos nos foder para arrumar a sessão inteira para os passageiros, daí sim inaugurando o navio no Brasil, para o primeiro cruzeiro de 7 dias.
Eu já havia achado cansativo o dia sem ter que arrumar as cabines de manhã, mas mal sabia eu que as coisas podiam piorar, e pioraram.
Fui dormir e coloquei o relógio para despertar as 6 da manhã, pois o chefe Eldon disse que teríamos que pegar a chave as 6 e meia da manhã.
Dormi, não sabendo o que me esperava ao me levantar.

CONTINUO LOGO!
CONTINUEM DEIXANDO OPINIÕES E PERGUNTAS, SEGUINDO E INDICANDO A AMIGOS!
COMENTEM PLEASE!

LOGO FAREI UM POST SOH RESPONDENDO COMENTÁRIOS E DÚVIDAS QUE VOCÊS DEIXAREM AKI!

abração
FOTO: aspirando o corredor no "crossing" Recife-Santos.

sábado, 10 de julho de 2010

Cap. 9 - O fim da boa vida



Continuando...

Se os dias fossem como os primeiros, o trabalho em navio seria o melhor emprego do mundooooo!
Durante a viagem, ouve uma festa, a chamavam de "Crew Disco", e como não havia passageiros, ela foi mesmo na discoteca, na discoteca dos passageiros (as festas de crew geralmente são no crew bar ou crew mess, mas quando se está de "crossing" as festas podem ser feitas em áreas de passageiros). Durante o dia ajudávamos os veteranos a arrumar as cabines e deixar tudo pronto para o primeiro embarque. E durante a noite descobríamos o navio. Eu fui fazendo amizades e fiz também registrei cada momento dessa primeira semana em fotos e videos ( que logo serão postados aqui também). A primeira Crew Disco ajudou muito em relação a galera se enturmar. Todo mundo se arrumou bem, pois como dizem, a primeira impressão é a que fica. E era a primeira vez que iríamos ver toda a tripulação reunida. A festa começava as 23 e 30, e a nossa galerinha marcou de subir à disco a meia-noite.
Todo mundo reunido, eu Dani, Sandrinho, Denilson, Fran, Marli e outros companheiros, como Bruna Gaúcha, Gale e Kelly.
Chegando lá, vimos todo mundo, galera do Bar, do restaurante, do Staff, e os chefes, inclusive os nossos.
As amizades foram nascendo ali naquela festa. Claro que é muito mais fácil você ter mais apego a quem trabalho no seu mesmo setor, mas tem muita gente legal também nos outros departamentos. Inclusive nos Staffs, porém naquele navio, sentia-se um ar de superioridade vindo de alguns dos dançarinos, principalmente. Não eram tão simpáticos, ou sociais, ficavam mais na panelinha deles, sentindo-se artistas, o que não nego, eram, pois dançavam muito bem, mas não necessitava se fechar pro restante da tripulação, como se fossêmos apenas "o pessoal que faz o serviço pesado". Isso pode acontecer também. Mas dos 4 navios que trabalhei, esse foi o único que o staff ficava em panelinha e não se misturava, os outros 3 eram muito mais unidos em questão de departamento diferentes e etc. Mas logo vocês saberão dessas outras experiências, pois aconteceram depois. Havia muita gente boa ali, e nossa, foi o crew mais bonito que trabalhei, tanto homens quanto mulheres, a tripulação do Soberano 2008/2009 eram quase uma agência de modelos.
O que se sente falta nas festa de navio, é música brasileira. Geralmente colocam latinos para tocar, então se prepare, vai ouvir muita Pachata e Reggaeton!
A festa foi divertida, vi novamente o menino de olhos azuis que conheci na agência, era tão bonito quanto simpático. Bebi o que deu e observei um argentino tentando sambar. Ele parecia muito com o Van Diesel, pode se dizer que é um sósia. Chamávamos ele de Cocô, pela sua cabeça raspada. Percebi olhares diferentes e me aproximei, eu muito cara-de-pau falei com ele de boa e nos tornamos amigos. Mas no navio, acho que com o baque de ter chego ali, todos haviam esquecido da cena da despedida minha e do Ju, então acabei mantendo aquele "segredo" comigo, pois ninguém tocou no assunto. Até tinham algumas mulheres dando em cima de mim no navio, e eu para tornar a vida ali mais fácil, peguei mesmo.
Eu apresentei o Cocô a Dani, e os dois se entenderam muito bem, foi aí que eu e Dani fizemos a parceria. Eu intimava, ela pegava. AUhauHUAHUA
A festa acabou e os dois foram pra cabine, eu voltei pra minha e o Sandrinho não tinha voltado ainda, eu dormi sem ver ele chegar.
Foi anunciada a noite em que teríamos um jantar no restaurante do barco, no restaurante dos passageiros, era um treinamento pro departamento deles saber como servir e tals.
O jantar foi depois de dois dias da festa, um dia antes da nossa chegada em Santos.
Quem pode trocar de roupa, mudou, nós como tinhamos acabado de sair do trabalho fomos direto comer. O uniforme mais feio era o nosso, mas a mesa mais divertida também era a nossa. Nós não tivemos nenhuma etiqueta, demos muita risada, alta e alegre. Nem parecia estarmos no trabalho, e sim numa viagem, como passageiros mesmo.



Após dias de muita diversão e pouco trabalho, chegamos em Santos, havia embarque só no outro dia. E além disso, estava tudo pronto, precisaríamos apenas esperar os passageiros chegarem, pois as cabines estavam prontas.
Saímos para um bar em Santos, bebemos alguns litros de cerveja e voltamos as 4 da manhã para o navio. Foi a primeiro pega de um chefe numa das novas camareiras, não vou citar nomes pra não estragar casamentos rs.
Finalmente o dia chegou. O dia em que a temporada brasileira começava. O dia que realmente comecei a trabalhar em navio, e saber o quanto é difícil.
Chegou o dia de realmente mostrar pra que eu fui lá, e mostrar o quanto sou forte.

GALERA AGORA SIM COMEÇA A VIDA A BORDO VERDADEIRA, O QUE VOCÊS REALMENTE VÃO PASSAR E PENSAR, MUITAS VEZES EM VOLTAR PRA CASA. ESSA É A REALIDADE.

VIDEO: BOBEIRA NO JANTAR, O GALE TAVA AFIM DE PEGAR A DANIE FAZIA AKELAS BRINCADEIRAS BESTAS PRA DAR INDIRETAS.

FOTOS: DA CREW DISCO E DA PRIMEIRA SEMANA.